quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sport Club Nun´Álvares,2 - Alpendurada, 3

Onze inicial
Fábio
Ricardo
Rui Sousa
Nunes
Paulinho
Paulo Marques ( Cap)
Rúben
Fábio Rocha
Pedro Costa
Guedes
Nuno
Suplentes
Ricardo
Bruno
Alexandre
Chaneto
João Costa
Tiago
Filipe
Substituições
Ricardo > < Chaneto 41'
Nuno > < João Costa 41'
Ruben > < Filipe 68'
Rui Sousa > < Alexandre 78'
Disciplina
Amarelo:
Paulo Marques 32'
Pedro Costa 54'
Nunes 61'
Guedes 90'
Evolução resultado/Tempo/Marcador/
1ª Parte
1 - 0 28' Pedro Costa
2ª Parte
1 - 1 61'
1 - 2 76'
1 - 3 78'
2 - 3 87' Guedes


Apreciação da Equipa
A partida de ontem veio-se a revelar a de mais difícil “digestão” para mim, na medida em que eu acreditava num óptimo jogo da nossa equipa e subsequente vitória, levando em linha de conta o momento do nosso grupo, quer em matéria de quantidade, quer no que toca à qualidade do nosso plantel disponível.


Foi mais “sofrível”, ainda, tendo presente a boa primeira parte realizada pelos nossos jogadores, que deixava aventar um resultado positivo.

Com efeito, na primeira metade do encontro, nós fomos pressionantes, com óptimas transições defensivas, ganhando rapidamente a posse de bola e construindo, de seguida, grandes jogadas resultantes de uma organização ofensiva muito boa. A tarefa de conquista rápida da bola muito se devia a um trabalho aplicado de todos os sectores, incluindo o ofensivo, sendo capazes de, uma vez ganha a posse de bola, empreender uma mobilidade apreciável que concorreu para a criação de imensas acções de penetração, com a produção de um conjunto robusto de situações de finalização, as quais deveriam ter convergido num resultado expressivo ao intervalo.

Infelizmente, tal não aconteceu, tendo-nos revelado muito perdulários e apenas marcando por uma vez, quadro que não traduzia a nossa superioridade nessa fase da partida.

Nesta nossa avalanche ofensiva, canalizámos muito do nosso jogo pela ala direita, facto que conduziu a uma sobrecarga do nosso excelente jogador Rúben, sendo certo que muitas dessas jogadas não tiveram a melhor sequência porque este nosso atleta não estava a ter tempo de recuperar no hiato que mediava entre uma e outra acção. Pode-se perguntar porque é que não alternámos esse sentido, mas o objectivo de uma equipa também passa por chegar ao destino desejado (leia-se baliza adversária) pelo “caminho” que se mostrar em melhores condições.

Em suma, fizemos uma excelente primeira parte, em todas as nuances do jogo, levando a que as acções do Alpendurada culminassem em situações de reduzido perigo para a nossa baliza, morrendo, muitas delas, na malha do fora-de-jogo.

Não obstante, deu para perceber que o nosso antagonista tinha valor, realidade para a qual os jogadores foram alertados ao intervalo, sendo relevado o facto de termos que manter a mesma atitude, sob pena de virmos a ter dissabores.

Importa registar, dada a pertinência para esta apreciação, que, pouco antes do intervalo, retirei da partida o Ricardo e o Nuno, em troca pelo Chaneto e pelo João Costa, numa óptica de gestão das substituições que é prática na equipa, e não, obviamente, pela má prestação dos atletas substituídos.

Devo reforçar que, no meu ponto de vista acreditava (e acredito) que os dois jogadores que entraram dariam garantias para que a nossa equipa se mantivesse com a mesma toada, porém, na segunda metade, tal não viria a suceder. Compete-me, igualmente, expressar aqui a minha impressão sobre a diferença de prestação da equipa em cada uma das partes do jogo, uma vez que pairou no ar a ideia de que muito se deveu às substituições feitas pelo treinador. Por conseguinte, sinto-me no dever de defender “a minha dama” e, acima de tudo, a dos atletas que entraram.

Tudo isto não tem que ver com as palavras de alguns adeptos, até porque – apesar de todo o respeito que me merecem – não se espera que alguns deles sejam capazes de deter um conhecimento sobre algumas matérias que os nossos jogadores, esses sim, têm a obrigação de dominar. Assim, respeito, mas não aceito que uma parcela dos nossos jovens tenha questionado a realização das substituições em apreço, fazendo fé no valor que o Chaneto e o João possuem e o que é a prática corrente da equipa em termos de trocas de jogadores durante as partidas.

Aliás, em bom rigor, foram esses mesmos jogadores que “queimaram” o seu treinador e os seus colegas que entraram em campo, por via da mudança de atitude que tiveram da primeira para a segunda metade do encontro. Sim, porque, após o intervalo, não conseguimos obstar à entrada forte do nosso opositor, mostrando-nos apáticos e desgarrados, atitude que impediu que continuássemos a dominar o jogo.

Deixámos de ser agressivos nas transições defensivas e escusámo-nos a executar as coberturas ofensivas e defensivas com o mesmo perfeccionismo vislumbrado na fase primeira da partida, ou seja, o sentido colectivo e a entrega dissiparam-se e, naturalmente, o rumo da partida inverteu-se. As ligações entre sectores não funcionavam; as saídas em construção curta culminavam, quase sempre, em passes errados; não conseguíamos ter a posse de bola por muito tempo; não éramos capazes de desorganizar o sistema defensivo contrário; o nosso jogo não tinha a mesma amplitude; os passes verticais não entravam; a circulação de bola começou a ser feita apoiada em exagerados toques por parte de alguns jogadores; a destreza na melhor leitura para cada momento fraquejou…

Por conseguinte, acabámos por perder o jogo, reagindo apenas nos minutos finais, o que serviria, somente, para reduzir a desvantagem.

Tenho que sublinhar que toda a equipa, na primeira parte, esteve muito bem, sendo que, na totalidade do jogo, realço a abnegação sempre presente do Rúben, mas permitam-me destacar a exibição do (juvenil) Guedes. Este jovem atleta teve uma atitude defensiva impressionante, acompanhada pela sua já conhecida qualidade em termos ofensivos.

O Guedes tem-me vindo a surpreender favoravelmente pela sua vontade em contornar uma das suas pechas: o jogo defensivo, certo que está que a sua classe atacante só poderá ser valorizada se auxiliada pela disponibilidade nos momentos de defender. Este jogador foi o que melhor interiorizou o momento da transição defensiva!

No resto, aquele golo que apontou não está ao alcance de todos; é daquelas situações que quem dominar o jogo percebe que temos que dar um “corte” na bola para ela entrar no poste mais distante; e a sua execução foi perfeita! Agradeço ao Guedes a sua entrega neste jogo! Por ele, o treinador e os seus colegas não tinham sido criticados, porque ele deu tudo para manter a mesma bitola evidenciada na primeira parte!

Nestes termos, tenho que reconhecer que esta derrota foi um duro golpe no caminho que traçámos, mas temos que dar a volta por cima já em Gandra, conscientes de que ainda podemos fazer muitas coisas interessantes.

Volto a insistir que aprecio muito estes jogadores e que estamos mais fortes do que nunca! E os resultados irão traduzir isso!


Saudações desportivas,


José António Moreira

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